sábado, agosto 27, 2005

10

o lixåo do cururupe
esconde a mágoa grudada
no lenço de papel que usei
e joguei fora
um urubu
abro os olhos milhares
três rasgam ferozes a sacola
e aquelas flores murchas
que ele me deu
tudo isso aqui fede
feito passado mal diregido
futuro apodrecido
larvas na carne podre
presente vomitado
não foi engolido
aquele vidro de perfume
vazio vazio vazio
é igual ao meu
lembro do cheiro
esqueço as narinas
impregnadas de sujeira
restos de nossas besteiras
se misturam a camisinhas alheias
a outros pedaços de um cotidiano
qualquer