domingo, agosto 28, 2005

14

meu corpo não é penduricalho
do mundo pseudo-abstrato
do pré-conceito
no concreto
pau é pele pra fora
buceta é pele pra dentro

13

também danço
no meu canto
pro vento ventar
rasteira na rasteira
de quem nao sabe sambar

sábado, agosto 27, 2005

11

tesão
coisa rara
em tempos de pouco
tato
sensação abstrata
tava
numa multidão
gozei com a imaginaçao
musa sem pele

10

o lixåo do cururupe
esconde a mágoa grudada
no lenço de papel que usei
e joguei fora
um urubu
abro os olhos milhares
três rasgam ferozes a sacola
e aquelas flores murchas
que ele me deu
tudo isso aqui fede
feito passado mal diregido
futuro apodrecido
larvas na carne podre
presente vomitado
não foi engolido
aquele vidro de perfume
vazio vazio vazio
é igual ao meu
lembro do cheiro
esqueço as narinas
impregnadas de sujeira
restos de nossas besteiras
se misturam a camisinhas alheias
a outros pedaços de um cotidiano
qualquer

sexta-feira, agosto 26, 2005

9

quem lembra
da mão violenta
da bandeira do progresso?
ainda hasteada
feito morte lançada
sobre a diferença
urbanos tem a crença
se acham mais civilizados
quem vive no mato
é macaco
dizem os estupradores
mercadores de mulheres
que se deixam
enlatar

8

se minha medéia se zangar
fujo num carro de fogo
antes dos filhos nascidos
mato a doida aflita
e a ensino a esquecer

7

quantas heras a pairar
fazem do momento
espera?

quinta-feira, agosto 25, 2005

6

vamo repartir o boi
coroné fica com os ói
maió que a barriga

5

mando pra guardar
rasgar costurar
esquecer
o que deixou de viver
vingou
ao contrário

4

é ela lua
reflete o sol
nossa estrela
lindas
as duas

3

fuçam a terra
em busca de pedras
reviram o solo
querem o sub
o ouro
o diamante
pode fazer brilhar
uma mente
que nasceu pra tatu
mas é gente?

1

minha roupa é casca
cada peça retirada é pedaço sem-vergonha
da vergonha imposta
o corpo escondido
um calor fudido
tudo abafado pra não incomodar
o caralho do tarado que mora ao lado
ver desde o berço
todo mundo pelado
e a próxima geração vai querer tirar também
os sapatos

2

música me furta
passa o mundo pelos ouvidos
ouço o movimento de quem caminha
dança
a árvore vibra
vento
tudo regido por música
veja
até o silêncio
o tropeço